
O que faço eu num dia de Verão quente, quando os portugueses assam nas praias e vão a banhos?
Fico em casa, sento-me à beira de uma janela da Foz, olho a paisagem, ouço os vizinhos a rirem descontraídos pela serenidade das férias, fixo o horizonte, deslumbro-me imaginando as múltiplas possibilidades que me reserva o futuro. Busco recortes de jornais e revistas, escrevo desenfreadamente, roubando-lhes as palavras, tornando-as minhas.
Faço colecção de cadernos com palavras inspiradas nas dos outros, penduro papeluchos no estendal.
As frases reinventadas raramente são publicáveis: «Nem tudo é publicável». Mas isso não interessa nada!