Apetece-me mudar

 

de ares… a voar por aí…

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Pulgas aos saltos…

 

Viva a Primavera e os seus efeitos secundários… sabem aquilo de piolhos na cabeça e pulgas na barriga aos saltinhos… parece que tenho disso por todos os lados… e bichos enlouquecidos dentro dos ouvidos :(

Vivam os efeitos secundários do tratamento: vai ser de tal maneira que nem haverá lugar a pesadelos e muito menos a sonhos cor-de-rosa… zzzz……… hoje não há bola………zzzzzzzzzzzzzzzzzz

 

 

Há palavras lindas: Boiça

ou Bouça…

1. regionalismo terreno delimitado em que se criam pinheiros, eucaliptos, carvalhos e mato
2. regionalismo terreno inculto

… O que será um terreno inculto…?

inculto
adjetivo
inculto
adjetivo
1. não cultivado; bravio
2. árido; agreste
3. que não domina códigos e conhecimentos livrescos ou intelectuais; que não tem instrução
4. rude
5. sem enfeites; desataviado
(Do latim incultu-, «idem»)

Clarice Lispector numa exposição de palavras

… Embriaguei-me na voz, no som das palavras: “Sou tímida e ousada ao mesmo tempo…”.

Comprei o Jornal de Letras que a tem na capa: a Clarice.

Há muito muito tempo que não lia o JL… Fez-me lembrar os bons tempos do Mil Folhas no Público: nos textos que evitam as pedantices da escrita…

Se não tivesse com tanta curiosidade tinha mandado o jornal dar uma curvinha… Sinceramente… qual é o gozo de escrever difícil num jornal? É fazer-nos perder tempo? É que num jornal estar a voltar para trás várias vezes não é muito confortável… nem o objectivo, certo? Os senhores da Edimpresa têm com  certeza um fetiche em manter esta pérola viva. Felizmente!

A não perder o texto da Nélida Piñon.

 

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Clarice Lispector – A hora da Estrela – Fundação Calouste Gulbenkian
© LápisLavra

Mais fotos no Álbum Num Piscar d’Olhos

E o peixe não foi atropelado no alcatrão!

 

Num instantinho “fugimos” … lá íamos vagarosamente pela marginal fora, encantadas e a agradecer mais um momento abraçado pelo mar e heis que “saltam” três peixes da água puxados por uma cana de pesca.

O maior dos peixes estatelou-se no alcatrão e não foi atropelado…

Foi por pouco que não entrou pela janela e se “deitou” ao meu colo… A Su, espirituosa como de costume, depois da quase mega-travagem que “salvou” a pesca dos três doidos à beira da estrada, parou o carro, sorrimos, aplaudi o momento e a Su declarou que se o peixe tivesse “voado” para dentro do carro era dela.

Eles sorriram-nos muito e continuámos por ali fora a sonhar com o peixe assado no forno com batatinhas… A Su diz que era um sargo… eu digo que não não me vou esquecer tão depressa do peixe aos pulos no alcatrão…

Ainda não completamente refeitas demos com Pensamentos +++

Ja sorriu hoje

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas que grande ressaca de Roma

Uma amiga que se inspirou no filme “Comer, Orar, Amar” foi há uns tempos para Roma com a ideia da recuperação do coração partido da Júlia Roberts.

Respondeu-me assim, quando lhe escrevi sobre o meu estado ressacado:

“Mas não sossega o coração. Roma desassossega-nos. Na monumentalidade das coisas, na história, no peso daquilo tudo, e até no trânsito. […] Em Roma, pensei muito naquilo que nos faz felizes. Naquilo que o ser humano faz para fugir à insatisfação e sede existencial. Até no Vaticano pensei nisso. Se calhar, sobretudo lá. Em Roma é muito visível aquilo que fazemos (em vão) para nos transcendermos. Ficam as pedras.”

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Praia do Guincho

Às vezes as pessoas de ressaca fazem disparates e traquinices, porque se sentem desesperados, certo? Então, larguei tudo no primeiro dia da Primavera e como que numa ode ao renascer típico da época, deixei-me embriagar de limpezas e arrumações, de abraços e partilhas… E de decisões: Berlim.

21Marco2013

Casa das Histórias

A”Viajante”, não é? Está bem. Viajo à procura de mim e viajo sobretudo cá dentro. As minhas Viagens a sério são sempre espirituais. Lembram-se da ressaca da viagem por Itália o ano passado? Essa viagem teve muito pouco de espiritual. Foi uma das viagens mais importantes da minha vida: Aprendi que não quero viajar assim: o excesso foi tal que não deu espaço para respirar os lugares as gentes… não deu espaço para respirar.

© LápisLavra

Lisboa ao Sol vista de uma esplanada “priviligiada” e onde um café não custa 6,00 euros… © LápisLavra

De regresso, e no despertar desta ressaca, percebo cada vez melhor como Amo Viver Lisboa, como a nenhum outro lugar. E como sou apaixonada por quase todas as memórias de Barcelona, de Granada e de Liverpool. Essas quatro cidades são para as pessoas desfrutarem delas.

Roma é para os turistas se deslumbrarem e se iludirem… É coerente com esta sociedade à qual sinto que me “despertenço”. É a mesma sociedade que se anestesia com o imediato, o famoso, o fútil, o grandioso e não se apercebe que o maravilhoso habita ao lado… e não o Abraça.

P.S. Apeteceu-me abraçá-lo antes de se declarar publicamente:
she ‘s very interesting person ,
very quiet and with good manners .
draw very well and walk for all the city all day long ,
very happy to meet her
P.S. Não se despediu… Esperei uns minutos.
Escrevi-lhe um papelinho para me certificar
que ele percebia como gostei de o conhecer.
Afinal também se sente “despertenço” desta sociedade.
Pousei as chaves na mesa da entrada
e saí ao Sol da Primavera,
talvez renascida.
Um dia vou perceber.
Também não gosto de despedidas…

“Da Viajante”: Às contas com Roma, Lisboa e a Europa que já conheço…

Nas últimas semanas, tenho sido apelidada de Rita, a viajante… Não me parece…  Não gosto disso. Não gosto de apelidos… Por muito que não vos pareça, sou muito muito caseira. Perguntem lá a quem me conhece há mais de 15 anos se não sou bicho do mato… até demais… Ou era…  ;-)

Pronto, pronto, sou e ambiciono ser uma Viajante dentro de “Casa”. Quanto mais viajo além fronteiras mais lhe sinto a falta, mais me sinto maravilhada e sortuda por habitar e desfrutar deste distrito deslumbrante, que tem Tejo, mar Atlântico, praias, montanhas, verde, tanto verde, história tanta história, estética humana e natural, e estórias por todos os lados. E que me parece que os Portugueses não aproveitam como podiam e, arrisco dizê-lo: deveriam.

Palmilhei Roma a pé, foram mais de 30 km para trás e para a frente, durante quatro dias… Não estou desiludida. Não estou. Mas soube a pouco por diferentes motivos. Muito ficou por ver. Não entrei dentro dos monumentos e não fui visitar a cidade debaixo do  chão. A minha prioridade era andar de cabelos ao vento e caminhar de uma ponta à outra até à exaustão. Consegui em parte… Ainda tenho bolhas nos pés e doem-me muito os gémeos desde a primeira noite, que começou logo com uns 12 km por ali fora.  Noite salva pelo o encontro inesperado e emocionado com a Fontana de Trevi. Aquela luz e a aquela água a correr são… dos “deuses” humanos cheios de fé e capazes de criar e construir edificações assim… Só senti emoção parecida ao sair do metro e dar de caras com a Sagrada Família, em Barcelona.

Lisboa não tem algo muito importante que Roma tem por demais: não tem colunas, nem estátuas, nem edifícios ENORMES, em quantidades tais que até enjoa, para não não dizer que até enoja. E não fui ao Vaticano, senhor@s!! Cumpri a promessa a mim própria e nem precisei do incentivo da realização do conclave para não ir. Se tivesse ido, então a ideia que teria de Roma seria ainda mais… deprimente. Os contrastes entre a forma como vivem e viveram os povos desde há mais de dois mil anos e a ostentação dos “representantes” desses povos é arrepiante. Como pode o Vaticano, como podem elEs viver assim…? Sim, estava lá no dia em que o novo Papa foi eleito…

Lisboa tem condutores, que conduzem depressa e descuidadamente, mas a maioria respeita as passadeiras e os sinais verdes para os peões. O mesmo não se pode dizer dos Romanos. Caminhar em Roma é um seríssimo risco para Vida… Isso é o pior de Roma. E  dá mesmo cabo do ânimo de qualquer turista caminhante entusiasmado.

Aproveitando as tais “honrarias” do meu novo apelido  – não ausentes de inveja  – declaro primeiro que a inveja é muito feia e demonstra bem a personalidade triste e enfadonha de quem a emana pelos poros do corpo. E declaro também que estou farta de dizer “olhem desculpem lá qualquer coisinha, mas não gostei muito…”. Chega disso!

E invejam o quê? As viagens de avião que deixam sequelas no meu corpo, possivelmente bem mais sérias do que eu quero sequer pensar… ? Invejam ir e vir em curtos espaços de tempo, que dão somente para conhecer os aeroportos, as estações de comboio, os “halls” de hotel e sobretudo os quartos e as salas de reuniões? Vejam lá, é preciso ter cuidado com o que se inveja. É como com os desejos, é preciso ter cuidado com o que se quer, não vá eles – os desejos – virarem-se contra nós. Alguém quer ir a Bruxelas por mim? Vejam lá se querem, digam. É que a próxima vez deve estar para breve. Do pouco que tive oportunidade de visitar da última vez [finalmente!]  Bruxelas é suja e, no geral, feia e pior, é triste… Parece-me o espelho do estado da União Europeia.

Quanto mais viajo mais sinto que  Não Há Cidade como Lisboa. Quanto mais conheço da Europa, maior é a minha paixão pela capital Portuguesa. Quando mais conheço da Europa mais amo esta luz maravilhosa que me entra pela alma e me aquece o corpo.

Quando encontrar uma capital mais bonita, arrumada, histórica, “estórica”, afável, azul do céu, azul do rio e do mar, sorridente, simpática, luminosa, charmosa, aviso as hostes. Apesar de não ser perfeita, tem qualidades inigualáveis. Até lá, deixem cá ver os argumentos que quiserem, porque eu adoro contra-argumentar.

Habitantes de Lisboa, deixem-se de tretas, tirem mas é os rabos dos vossos sofás e vão para a rua, porque se adivinham maravilhosos dias de Sol Primaveril e com eles a Luz e os Contrastes lá fora e muitos, muitos eventos a custo zero a acontecerem em volta, dentro e fora de casa. É só procurar!

Literatura Romana

Para preparar uma viagem pode ler-se os diários dos outros, de preferências com “bonecos” e fotos e os livros para crianças, que são muito mais divertidos e ilustrativos do que os clássicos guias com poucas fotos da treta.

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© LápisLavra

Para Roma: confesso-me um pouco nervosa…

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© LápisLavra

Estou com cãibras na barriga…

Até já me passou pela cabeça várias vezes a grande questão minúscula:
porque é que me meti nisto?

Itália aguarda por mim.
Não vou ter com ninguém.
Ninguém vai ter comigo.
Quis ir reencontrar-me comigo e Vou.

Quis provocar-me.
Quero saber do que sou capaz…
Quero ser só eu,
quero meditar,
quero estar quieta,
literalmente parada a Ver.

Cinco dias de introspecção para reaprender quem Sou.

Cinco dias na Cidade Eterna só eu, a máquina fotográfica, os pincéis…

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Ciao!