Ando tão calada…

Ando muito calada de palavras escritas, sinto-me invadida pelo silêncio, daqueles ruidosos, muito muito ruidosos. Como quem tem tanto para dizer, mas já não sabe o quê, não consegue, não sabe como. Calo-me porque não compreendo. Nenhumas palavras parecem adequadas. Cansei-me das palavras. E agora estou neste silêncio entristecida com a esperança de que o que me faz falta é ouvir-me em silêncio.

Sinto esta tristeza triste sentida como  irreconciliável comigo.

Pensei que estava a fazer um luto, mas já não sei se estou. Ao descobrir esta minha auto-proibição de me zangar. Esta culpa que sinto, ela vem desta minha proibição de me zangar, amarra-me e entristece-me cada vez mais. Esta estúpida proibição que me prende. Como se a zanga fosse um pecado mortal, como se não tivesse direito de me zangar.

Não sei como resolver esta tristeza ou nostalgia  – nem sei bem como adjectivá-la – que me acompanha e sempre colada à pele.

E a orgulhosa sou eu…
Enganaste-me uma vida inteira.
Quero dizer: deixei-me enganar.
E só quando puxo a corda
até à beira da ruptura é que o percebo.
Sinto-me enganada,  desiludida,
sem chão, defraudada de ti.
… eu sei, eu sei… defraudada de mim!!

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4 thoughts on “Ando tão calada…

  1. Liberta as amarras no silêncio que consegues partilhar. Liberta-te na paz interior que tanto tentas ter, mas liberta-te totalmente, permitindo-te sentir tudo, tudo sem excepção, para no final se gastem todos os sentimentos e fique apenas o que mais procuras, o que mais queres, o que mais precisas. Qualquer que seja o sentimento que sintas nesta busca, nesta luta, faz parte de ti, e faz-te de crescer e ser uma vez mais tu própria, com o sorriso que todos conhecemos e adoramos….

  2. já tinha estranhado o teu silêncio e estava à espera que estivesses pronta para falar!
    acho que já sabes o que fazer e por isso não te digo mais nada! Toma lá um abraço!
    =) *

  3. É fácil falar e falar e falar quando se sente a vontade. É dificil, tao dificil, quando nos dizem que “só nao escreve quem nao vive”MENTIRA! Quem vive pode também nao escrever. Quem fala pode não falar. Quem sorri pode não sorrir. E estupida seria eu se aqui viesse dizer o que se deve fazer num caso de silencio, de tristeza, por algo como a impotencia de nos conseguimos zangar. Não posso dizer que seja bom nao se zangar, mas é bonito. E faz-me sempre lembrar um livro … ” A árvore generosa”. No final, por muito que percamos … ganhamos sempre.
    Em silencio. Que estas palavras sejam lidas em silencio.

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