Fui à Marcha e conheci a primeira mulher casada

com outra mulher…

E ela é da minha família!

Este ano, porque estive numa aula, fui à Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa durante uns escassos 10 minutos. Fiz questão de fazer o percurso inverso do ano passado até os encontrar. Não podia não ir lá, sorrir para a Margarida e dar-lhe um abraço, porque a Amplos tem sido de uma importância fundamental para a minha segunda saída do armário e para me permitir viver a vida mais solta com as pessoas que me rodeiam.

Por instantes deixei-me ficar para trás, captando imagens das bandeiras coloridas. Quando regressei à frente demos de caras uma com a outra. Encontrámo-nos na rua há meses também por mero acaso. Antes desse momento, não nos viamos há mais de 6 anos anos. Antes disso… há talvez 4 … Bem, deixa cá ver… quando éramos miúdas, numa vida que nem parece a minha, passávamos fins-de-semana e férias na casa dos meus avós. Lembro-me especialmente das guerras de castelos e de jorgarmos às espadas! Sim, jogávamos às espadas e com espadas de madeira que construíamos! Ahahaha! Foi mesmo noutra vida!

Nunca tínhamos falado do “Assunto”. Sorri-lhe. Pensei para mim: vais ser natural como a tua sede, porque estás na tua própria casa no meio destas pessoas! Dirigi-me a ela e declarei: vim dar um beijinho à Margarida. Ela olhou-me e disse sorrindo muito de mão esquerda no ar: Casei-me! Ela agora não está aqui… queria que a conhecesses. E continuou: a minha mãe sabe e foi ao meu casamento, mas não vem a estas coisas. A tua mãe é que é que seria ideal para andar aqui!

Eu entristeci-me e exclamei que sobre a minha mãe seria uma grande conversa… Ela olhou-me confusa. Entristeci-me mais, porque sei perfeitamente que seria o que as pessoas esperariam da minha mãe… mas não eu. Eu nem sei que dizer em relação às expectativas das pessoas… e às  suas contradições.

Ela estava radiosa de felicidade! E ainda bem!! Felicidades para as duas!!!

Para quem tem preconceitos sobre o ambiente da marcha,
espreitem bem a foto.
Está ali um rapaz com um bebé às cavalitas…

A marcha é para as Famílias!
Tod@s as Famílias!

Para o ano deixem-se de preconceitos e vão lá indignar-se com esta democracia
em que há pessoas com mais direitos e mais deveres que outras…

SiM à adopção e à reprodução medicamente assistida
para todas as pessoas!

A propósito, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou ontem uma resolução sobre orientação sexual e identidade de género: “todos os seres humanos nascem livres e iguais no que diz respeito à sua dignidade e direitos, e cada um pode beneficiar do conjunto de direitos e liberdades (…) sem nenhuma distinção“.

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3 thoughts on “Fui à Marcha e conheci a primeira mulher casada

  1. Infelizmente, nem sempre, as pessoas que aparentemente seriam mais abertas a, realmente o são, pois quando se deparam com a situação na “sua casa”, modificam a sua postura…
    …é…
    também nos aconteceu…
    também nos entristece…
    Abraço

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