Uma Paz na véspera Um Fogo de vontade para o Futuro

Os típicos festejos da meia-noite passaram a ser relativos, num sem sentido até,  ao caminhar olhando o rio, a Ponte e o outro Lado até à Arrábida ao Luar, do Alto de São João onde nos despedimos dele.

O primeiro a partir: o tio Rui é o mais novo dos cinco (os outros três partiram há mais de 60 anos). Todos a ficarem velhotes, cheios de sardas nas mãos, com a cor de cabelo mais bonito que já vi. É cor de pérola, muito liso e brilha.

Os cinco irmãos foram todos lindos, mesmo quando já não eram tão jovens. A diversidade dos cinco com as suas diferentes personalidades e formas de viver ensinaram-me a escolher as minhas próprias prioridades. A busca pela paz interior e com o mundo, a recusa da maldizência e a concretização de pequenos objectivos, de independência emocional e económica todos os dias são os passos para se ser mais feliz.

Os que têm dentro deles esse Fogo sábio são os que melhor habitaram e habitam a Vida.

O meu avô com os seus imensos defeitos tem a grande virtude de me ter puxado sempre para o lado dos Pensamentos +++, mesmo quando a Vida me tirou o lado paterno, o inferno se instalou mais ainda do que já se instalara desde a adolescência, quando chumbei em 90% das disciplinas, quando não arranjei trabalho pago durante um ano, quando a empresa onde trabalhei faliu e onde um buraco fundo e negro era local tentador e muito apetecível.

“Vamos conseguir dar a volta!”

Ele não só mo disse, como o repetiu vezes e vezes sem conta, como o foi mesmo conseguindo fazer tantas e tantas vezes. Ao longo dos últimos 15 anos foi sempre acompanhado dos seus Pensamentos +++ e tem dado mesmo a volta, sob o meu olhar de espanto. Aliás ele tem dado Sempre a volta ao longo das últimas oito décadas.

Eu quero habitar esse Fogo sábio para mim, ateado com mais umas labaredas que não são as dele: um Fogo que me forneça a energia e o calor para habitar melhor a Vida.

Ao longo do dia senti uma paz invadir-me num crescente até adormecer ajudada pelo sol quente de Inverno e o belo Luar espelhado no Tejo, numa das mais bonitas paisagens que tive o privilégio de ver no último ano.

Não houve festejos. Recusei-os. Festejar, já festejei em todos os dias oportunos de 2011. Festejar, festejarei sempre que possível no futuro.

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4 thoughts on “Uma Paz na véspera Um Fogo de vontade para o Futuro

  1. Reparo agora que o texto pode dar a entender que foi o meu avô que partiu, mas não. Foi o mais novo dos seus irmãos. Escrevi e reescrevi tanto o texto que me perdi nos meus próprios pensamentos…
    O texto original foi por isso alterado.

  2. Gostei muito do texto… No meio da perda,uma mensagem de esperança e de fé e muita crença e “acreditar” que a vida, por muito rude que seja,também nos confere oportunidades para sermos felizes (ou pelo menos sonharmos em o sermos minimamente). Direi que é um texto com muito sumo para se saborear aos poucos.Parabéns.

  3. Mais um esclarecimento necessário: Não devem imaginar que está implicito neste texto que todas as pessoas referidas são flores que se cheirem. Não são. A maldade navega nas veias de alguns… Em todas as famílias existe uma ovelha negra. Nas minhas famílias há várias… um medo.
    Observando a panóplia de maldadezinhas e mesquinhezes de algumas pessoas, o observador pode (e deve!) escolher o que melhor lhe serve. De qualquer maneira foram todos muito bonitos, charmosos, têm o cabelo cor de pérola e as mãos cheias de sardas.

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