Houve muitas razões… mas já não Ouviamos

Há sempre muitas razões. Raramente são poucas. É o conjunto, o contexto. Mas a Comunicação está no topo.

Ando nos balanços outra vez. Revisito os motivos… porque não quero voltar aos mesmos erros. Que sejam outros… porque erramos sempre e não vale a pena fugir ao que nos impele a Crescer.

Tornámo-nos impossiveis, porque foi insuportável não nos Ouvirmos e não conseguirmos fazer-nos Ouvir: a nós próprias, entre nós, com o mundo lá fora. E a nossa comunicação [ou falta dela] tinha contornos ainda mais complexos, tão complexos… Como direi… Permiti quase suicidar-me a individualidade…?

Não sei se conseguiria não o permitir.

A comunicação é o pilar principal de qualquer relacionamento e nós deixámos de o fazer.

O que me ficou durante anos não foi o Amor que te tinha, mas a Culpa por não ter conseguido Comunicar nem contigo, nem comigo. Como se alguma vez o meu cérebro tivesse controlo sobre os ouvidos do meu Coração, como se alguma vez tivesse controlo sobre as qualidades auditivas do teu.

Mesmo que tivesse aprendido a falar com as mãos não me terias ouvido. Já não ia a tempo, já não querias ver-me falar. Eu sei: baixavas os olhos…

Quando me Amavas não precisavas de me Ouvir nem pelos lábios, nem pelas mãos, porque me ouvias os olhos, as sobrancelhas, o nariz, a boca, os ombros, os pés, os braços,… Foi por eles que te apaixonaste. Foi por eles que te desapaixonaste e eu nada podia fazer, porque deixaste de me querer Ouvir de todas as maneiras e não era leres-me as mãos que iria mudar-te a surdez do coração.

Rita, não voltas a esconder-te do mundo… Nunca mais. Seria uma horrível dor na alma com consequências devastadoras, para além de que seria um tremendo equívoco, porque toda a gente sabe que és lésbica e não há como escapar do que te está escrito nos olhos, nas sobrancelhas, nas mãos, nos pés, nos braços, nas pernas, nas orelhas, no cabelo… por todo o lado. Como dizia alguém no outro dia: “não são os óculos, mas o semblante”.

P.S. Não que alguma vez mo tivesses pedido.
Aliás insistias no contrário,
mas eu sinto que desejavas que um dia te aparecesse
em casa a falar com as mãos.

Eu sei isso,
porque sei que não consegui ouvir o meu próprio coração
a contar-me muito baixinho como querias
que aprendesse a dançar os gestos para te Falar…
apesar de tu quase me Gritares que não querias…

P.S.  Os homens e as mulheres sábias sabem distinguir
quando uma mulher está a dizer que Sim, quando afirma um Não.
Eu obviamente não fui sábia…

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