Da Amizade-Amor e da Família dos Afectos

A Papoila perguntou se os Amigos são para sempre e despoletou cócegas nos meus dedos como há muito não sentia. A Amizade-Amor é um dos meus temas predilectos para reflectir, conversar, escrever. O post dela vem mesmo a propósito dos meus últimos dias… dos meus últimos meses, das minhas últimas perdas, das minhas últimas (des)construções emocionais.

A minha Família dos Afectos de Oeiras enviou-me ontem um esclarecedor sms sobre preocupações sérias com o meu bem estar. Desde há várias semanas que pouco ou nada escrevo a Sério… ou melhor: pouco ou nada escrevo, seja a sério ou a brincar. Pouco ou nada apareço. Estou muito desaparecida para quase toda a gente. As minhas zangas e os meus medos com diversos aspectos da vida estão-me a bloquear, a esgotar, a engordar, a silenciar… Nada de novo. Os meus silêncios prolongados geralmente dão lugar a sorrisos futuros. Deixem-me lá estar com a minha tristeza e com os meus silêncios, sim? Para além de tantas outras coisas, a faculdade está-me a bloquear a vida. Mas isso já se resolve a bem ou a mal dentro de poucas semanas.

Para pelo menos mostrar que estou viva e supostamente de saúde física fui mostrar-me. Assim que me viu entrar-lhe pela porta abraçou-me espontaneamente, olhou para mim com certo alívio e aceitou mais ou menos o meu, mais ou menos, silêncio.

Fui mostrar-me, porque ontem à noite estive a ser muito bem “espancada” pela Família dos Afectos de Lisboa durante mais de meia-hora e que finalizou o “espancamento” assim:  bem cedinho calças os ténis, vais caminhar durante uma hora e no caminho passas pelos Abraços e fazes-te à vida. Toma conta de ti!

Fiz mais. Fui para os Abraços de bicla e pedalei oito quilómetros. Sinto tanta falta de pulos a sério… que desorganização eu me provoquei. Venham saltos e pedalices com fartura e depressa!

Os Amigos Amigos sabem perfeitamente quando dar-me espaço e verdadeiros Sermões Amigos para… no fundo Crescer. El@s sabem e aceitam-me, porque me conhecem melhor que ninguém e porque me Amizade-Amam.

Ao contrário da Bela, estou convencida que as Amizades e os Amores não são eternos com raras excepções – quando for velhinha faço o balanço! As memórias deles, essas sim, podem ser eternas se nós deixarmos.

Na sociedade ocidental de hoje, os Amigos tornam-se cada vez mais a Família dos Afectos e dos Abraços. Muitas vezes as pessoas nem se apercebem disso e o pior é que só o valorizam se houver um afastamento, por quaisquer motivos.

Tantas e tantas vezes, as pessoas que pertencem à família de sangue se prejudicam muito mais entre elas do que se beneficiam. A nossa liberdade só o é até à liberdade dos outros. As pessoas também se convencem que pertencem umas às outras.  Não respeitar os limites da liberdade do outro é contribuir para o sufoco, para a destruição das relações. As famílias são especialistas nesta matéria. Exemplos não faltam na vida de todos nós.

Ainda há o preconceito de que a Família é a família de sangue, mas isso pode não ser verdade.  Temos de aprender a deixar cair essa ideia para prosseguirmos mais saudáveis das emoções e sem culpabilizações de ninguém.

As pessoas que se Amizade-Amam estão e ficam, porque querem muito, porque se gostam muito e porque se permitem gostar, porque se respeitam, porque se partilham nas emoções, porque constroem essa Amizade ao longo do tempo. Mas não há Amizade que resista se ambos os lados não se esforçarem. É exactamente como acontece no Amor.

A Amizade pode terminar, porque as pessoas mudam, crescem em direcções diferentes e esse sentir desaparece ao longo do tempo pacificamente. Noutros casos, não tão raros como se possa pensar, termina violentamente nas emoções. Nesses casos, perder um amigo pode ser muito mais duro e destruturante do que perder familiares ou namorad@s. Eu sei porque perdi um grande Amigo, que foi também da minha Família dos Afectos durante anos. O mais difícil é não perceber porquê que nos perdemos um do outro pelo caminho. Eu sei porque ainda não me restruturei desta enorme Perda. E também sei porquê: não compreendo o que nos aconteceu…

Tento fazer o exercício dos Pensamentos +++
do meu avô paterno:
só faz falta quem cá está…
Mas é muito difícil.

6 thoughts on “Da Amizade-Amor e da Família dos Afectos

    • Não queres nada ser como eu. Tu queres ser como tu PRÓPRIA! E tenho a sensação que não o és vezes demais… Abraço do canto aqui mais em baixo ao sol (o meu FB disse-me que está muito sol em Liverpool hoje!). Vai ver os esquilos e as flores Alex! Escreve-lhes poemas, cantas-lhes a Primavera =)
      Abraço

  1. Doutora Abraços….. já disse várias vezes que a boa disposição está sempre lá, mesmo que por vezes, esteja escondida de baixo de muito “verde”, faculdade e etc.
    Abraçooooo… Viva a pizza!
    :)

  2. Olá Doutora All Star. Devia fazer greve ao verde, mas o verde insiste em “confluir” dentro de mim e em não arredar e de contribuir para ficar muito caladinha. Viva o disparate e a Pizza! =D

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