Disse-lhe das saudades dele

e ele descompôs-me… Disse-lhe da falta que sentia… e tratou-me mal, com a desculpa de que era inaceitável ter desmarcado dois cafés. Afastou-me assim. Imagino que só DeusA sabe porquê. Mais ninguém. Saberá ele próprio? É que cafés desmarcados não têm nada a ver com isto – como é óbvio.

Por muito que tentasses explicar-me como foi possível, não sei se alguma vez compreenderia. O teu comportamento foi  intolerável.  Sinto que fizeste algo muito, muito grave e que tens tanta vergonha do que fizeste que me afastaste de ti assim, deixaste-me a imaginação à solta para eu me culpabilizar, magoaste-me de uma forma vil, para eu não descobrir, para não assistir à tua desgraça ou para não assistir à pena que deves ter de ti próprio. 

Cobarde, orgulhoso, miserável!
Foste um Cobarde!

Como é possível ter partilhado tanto da minha vida contigo durante tanto tempo, como é possível teres partilhado tanto da tua vida comigo durante tanto tempo e o fim ser isto?

Perguntaram-me o que imagino que aconteceria se um dia nos encontrássemos no olhar por aí…
Tenho tanto medo da resposta, porque provavelmente provarias um  gélido desprezo. Tenho medo, tanto medo, porque não quero sentir isso dentro de mim.