Clarice Lispector numa exposição de palavras

… Embriaguei-me na voz, no som das palavras: “Sou tímida e ousada ao mesmo tempo…”.

Comprei o Jornal de Letras que a tem na capa: a Clarice.

Há muito muito tempo que não lia o JL… Fez-me lembrar os bons tempos do Mil Folhas no Público: nos textos que evitam as pedantices da escrita…

Se não tivesse com tanta curiosidade tinha mandado o jornal dar uma curvinha… Sinceramente… qual é o gozo de escrever difícil num jornal? É fazer-nos perder tempo? É que num jornal estar a voltar para trás várias vezes não é muito confortável… nem o objectivo, certo? Os senhores da Edimpresa têm com  certeza um fetiche em manter esta pérola viva. Felizmente!

A não perder o texto da Nélida Piñon.

 

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Clarice Lispector – A hora da Estrela – Fundação Calouste Gulbenkian
© LápisLavra

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Mas que grande ressaca de Roma

Uma amiga que se inspirou no filme “Comer, Orar, Amar” foi há uns tempos para Roma com a ideia da recuperação do coração partido da Júlia Roberts.

Respondeu-me assim, quando lhe escrevi sobre o meu estado ressacado:

“Mas não sossega o coração. Roma desassossega-nos. Na monumentalidade das coisas, na história, no peso daquilo tudo, e até no trânsito. […] Em Roma, pensei muito naquilo que nos faz felizes. Naquilo que o ser humano faz para fugir à insatisfação e sede existencial. Até no Vaticano pensei nisso. Se calhar, sobretudo lá. Em Roma é muito visível aquilo que fazemos (em vão) para nos transcendermos. Ficam as pedras.”

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Praia do Guincho

Às vezes as pessoas de ressaca fazem disparates e traquinices, porque se sentem desesperados, certo? Então, larguei tudo no primeiro dia da Primavera e como que numa ode ao renascer típico da época, deixei-me embriagar de limpezas e arrumações, de abraços e partilhas… E de decisões: Berlim.

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Casa das Histórias

A”Viajante”, não é? Está bem. Viajo à procura de mim e viajo sobretudo cá dentro. As minhas Viagens a sério são sempre espirituais. Lembram-se da ressaca da viagem por Itália o ano passado? Essa viagem teve muito pouco de espiritual. Foi uma das viagens mais importantes da minha vida: Aprendi que não quero viajar assim: o excesso foi tal que não deu espaço para respirar os lugares as gentes… não deu espaço para respirar.

© LápisLavra

Lisboa ao Sol vista de uma esplanada “priviligiada” e onde um café não custa 6,00 euros… © LápisLavra

De regresso, e no despertar desta ressaca, percebo cada vez melhor como Amo Viver Lisboa, como a nenhum outro lugar. E como sou apaixonada por quase todas as memórias de Barcelona, de Granada e de Liverpool. Essas quatro cidades são para as pessoas desfrutarem delas.

Roma é para os turistas se deslumbrarem e se iludirem… É coerente com esta sociedade à qual sinto que me “despertenço”. É a mesma sociedade que se anestesia com o imediato, o famoso, o fútil, o grandioso e não se apercebe que o maravilhoso habita ao lado… e não o Abraça.

P.S. Apeteceu-me abraçá-lo antes de se declarar publicamente:
she ‘s very interesting person ,
very quiet and with good manners .
draw very well and walk for all the city all day long ,
very happy to meet her
P.S. Não se despediu… Esperei uns minutos.
Escrevi-lhe um papelinho para me certificar
que ele percebia como gostei de o conhecer.
Afinal também se sente “despertenço” desta sociedade.
Pousei as chaves na mesa da entrada
e saí ao Sol da Primavera,
talvez renascida.
Um dia vou perceber.
Também não gosto de despedidas…

Adoro pés e coisas a voar… menos eu…

Amanhã vou voar outra vez  para a capital da Belgilândia
em nome da nação.

Quando tiver um momento só para mim e para lavar a alma,
que vai ficar tão recheada de coisas  e ditos altamente descartáveis,
vou ver este filminho de livros voadores
que a Impressão Anónima recomendou.

Às vezes o Silêncio entranha-se tanto

 

que mesmo numa exposição dolorosamente ruidosa a ausência de som apodera-se de nós e o ruído dá lugar apenas a todas as memórias de um objecto, como que tendo um deslumbrante poder de apagar todos os gritos.

Se gosto da exposição? NÃO!

Mas estou a adorar a experiência de me apropriar assim dos cenários e criar nele o meu próprio espaço de Silêncio.

Não O tenho elogiado tanto como preciso.

 

P.S. Hoje é um bom dia para O namorar.

 

 

Serei culta?

O autor disse algo como isto:
Ser culto é pertencer a um lugar.
E eu fiquei a pensar se sou culta…

© Gonçalo Afonso Dias

O meu lugar é Lisboa, mas isso parece-me amplo demais.
Lisboa não é um lugar. É tantos, tantos lugares.

Não pertenço a lugar nenhum.
É por isso que não páro quieta, 
pareço uma pardalito a saltitar de ramo em ramo.

Não, não sou culta.

P.S. Os desenhos de Gonçalo Afonso Dias
expostos no  Chá da Barra (Oeiras)
são extraordinários

Várias exposições em dois dias e mais umas coisitas…

Depois de quase uma semana “alucinada” de cama, passei um fim-de-semana “cá dentro” embriagada da cultura de Lisboa.

Foi todo um turismo e nem a intempérie me derrubou, como fez com árvores e arbustos pela capital fora.

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© LápisLavra

Vi cinco exposições completamente diferentes, ou melhor, sete se pensar os espaços expositivos num sentido vasto e muito vivo. O “Laboratorio Chimico” [onde tive aulas práticas de química há 18 hanos e que agora é um museu!], a “Selos da Natureza” de Pedro Salgado – e as histórias de cada série de selos, com visita guiada pelo autor por mais de duas horas -,  “As idades do Mar”, o “Chá para Alice”, a “Instamatic” e quase todos os pisos do edificio I da Lx Factory – que é um monumento há criatividade – e finalmente, a livraria Ler Devagar, outra exposição viva a não perder. Foi considerada uma das 20 mais belas livrarias do planeta em 2012.

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© LápisLavra

Além disto, fui a uma exposição de desenhos muito bons no Chá da Barra da Vila (Palácio do Egipto, Oeiras) e assisti a um mini concerto de piano a acompanhar o evento. E ainda tive uma aula sobre rabiscos na Gulbenkian – podia ter estado lá todo o fim-de-semana a assistir a palestras girissimas do projecto Descobrir.

Sabem quanto custou tudo isto? Cinco um euros no bilhete do Museu Nacional de História Natural e do Museu de Ciência (acho que um dia não chegaria para ver tudo) mais os chás/cafés, os lanches e o combustível. Aos Domingos as exposições da Gulbenkian não se pagam, aliás como acontece em muitos museus portugueses.

Habitando em Lisboa e arredores, a desculpa que é caro não serve para não nos embriagarmos em cultura. Só não recomendo que se aventurem como eu fiz por entre ventos de 60 km/h e mega chuvada. Só fui, porque tinha eventos marcados nos dois dias. De outra forma não teria obviamente saído do sofá.

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© LápisLavra

O melhor de tudo foi uma feliz coincidência. Saibam que este país é um TO minúsculo e sem varanda. Estamos sempre inesperadamente a dar de caras com as nossas pessoas, ou elas a encontrarem-nos – já se sabe que ando sempre com os pés a voar e a cabeça no ar …).

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Mil e uma maneiras de compor uma echarpe

 

Até têm um e-book para uma pessoa aprender tudo, desde enrolar as echarps e os cachecóis ao pescoço, e noutras partes do corpo também, aos cuidados a ter na lavagem e na mistura de cores. É toda uma composição. É toda uma aprendizagem. Estou maravilhada.

 

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P.S. Descobri  isto numa das minhas incursões pelo famoso Pinterest,
numa vã tentativa de perceber como tal ferramental me pode ser útil…
Lamento, é como o Twitter:
não lhes percebo a utilidade.

O olho é belo e estético

… Ora, não percebeis que com os olhos alcançais toda a beleza do mundo?
O olho é o senhor da astronomia e o autor da cosmografia;
ele desvenda e corrige toda a arte da humanidade;
conduz os homens as partes mais distantes do mundo;
é o príncipe da matemática,
e as ciências que o têm por fundamento são perfeitamente corretas.
O olho mede a distância e o tamanho das estrelas;
encontra os elementos e suas localizações;
ele… deu origem a arquitectura, a perspectiva,
e a divina arte da pintura.

… Que povos,
que línguas poderão descrever completamente a sua função!
O olho é a janela do corpo humano pela qual ele abre os caminhos
e se deleita com a beleza do mundo.

Leonardo Da Vinci (1452-1519)

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Excelente concerto
com Sofia Vitória,  Júlio Resende, João Custódio e  Bruno Pedrosa.

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P.S. Quando dei por mim,
já lá estava.
Foi mais um evento que veio ter comigo e lá fui eu.
Adoro estes momentos inesperados. 
P.S.2. Fiquei vidrada com o contrabaixo.

Para uma Metáfora de Vida… a caminho do Mar

Tocaste a minha Vida.

Tu que me Viste para além de mim
e Sabes o que mais ninguém sabe.
Sabes o que eu não compreendo.
Deixo-me acreditar no que acreditas.

Eu que fico à espera que os acontecimentos aconteçam,
porque eles acontecem mesmo,
aparecem-me assim mesmo diante de mim…
Os que estou preparada para agarrar:
apanho-os como se fossem balões a  subir no ar sem destino.
Aponho-os e deixo que me levem.

Dizes que não fique quieta à espera…
não sei se te acredite.
O melhor que me aconteceu foi quando agarrei
os Tais Balões inesperados…

Dizes-me para ir pintar o vento
e para nunca mais deixar de o fazer.
E eu parti… ainda não pintei o Vento,
mas tenho a sensação que encontrei o Mar… o Nosso…

Michael Dudok de Wit & Arjan Wilschut
“Father and Daughter”

É tão belo, tão estético, tudo:
as cores, os rabiscos, a música, a História sem palavras.

Deparei-me comigo ali (in)quieta, estupefacta… a caminho do mar, d’Aquele outro Mar… do meu (do Teu?): uma e outra vez e mais outra… e outra ainda… onde imagino que flutuas a Alma e onde te (re)busco uma e outra vez e mais outra… e outra ainda… e não te encontro… Insisto em acreditar que quando me desfizer em pó me vais abraçar a Alma a flutuar no Nosso  Mar. Têm sido mais os dias em que não acredito… Podiam passar a ser mais os dias do avesso para Pensamentos Abraçados  +++ nas ondas da Ericeira.