Literatura Romana

Para preparar uma viagem pode ler-se os diários dos outros, de preferências com “bonecos” e fotos e os livros para crianças, que são muito mais divertidos e ilustrativos do que os clássicos guias com poucas fotos da treta.

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© LápisLavra

“Come, Tell me How you live. An archaeological memoir”

ou em Português  “Na Síria. Conta-me cá como vives” é um livro de Agatha Christie que vale mesmo a pena ler. É essa mesmo:  a inventora  de quase uma centena de assassinatos, charmosamente resolvidos por Poirot e Miss Marple.

O Diário das suas viagens à Síria é um relato de inúmeras peripécias em modo de muito bom humor. Riu muito durante os preparativos e por lá, principalmente de si própria. Eu também soltei umas gargalhadas sonoras e muito sorrisos bem dispostos ao ler algumas das suas descrições hilariantes!

Identifico-me muito com Mrs Christie. Agatha era uma consumista inveterada de sapatos (em quantidades obviamente desnecessárias – eu também confesso que é uma fraqueza minha) e de relógios, canetas, lápis e tal (muitos e necessários ao contrário do que acontece comigo), que levava sempre atrás de si enormes quantidades de bagagem de coisas que depois não usava. Detestava fechos de correr – eu não detesto, mas prefiro botões -, gulosa, volumosa…. Cheia de humor (ela exteriorizava-o com certeza mais do que eu – confesso não sem alguma tristeza que tenho mais humor para dentro só revelado  em raras excepções de possuimentos loucos ou de extremo à vontade – uma pena…). O esposo dela  pedia-lhe para se empoleirar em cima das malas para as conseguirem fechar – houve umas viagens com a ex-esposa em que também tive de me sentar em cima da mala para não deixarmos nada para trás.

Também me sinto deslumbrada com paisagens imensas de perder de vista, tenho o mau hábito de andar de olhos colados no chão (mas ela era arqueóloga). Nunca percebi bem para quê que tenho essa triste mania se gosto tanto de descobrir aves… a voar… é bem conhecido pel@s leitor@s deste blog o meu fascínio por pés… e também por sapatos. Eu confesso, eu confesso! Tenho grande tendência para tropeçar e cair quando não olho para o chão!! E mesmo quando olho… tenho sempre a cabeça no ar…

Ambas gostamos de animais, mas não do género que abundavam pelos seus “campings”:

“… com os ratos a fazerem exercício físico e desportos de ar livre em cima de nós,  isso é pouco possível [adormecer]”. […] Esforço-me para reprimir os tremores da carne. Adormeço um instante, mas os pezinhos a correr pela minha cara acordam-me. Ligo a lanterna. As baratas aumentaram e uma enorme aranha negra está a descer do tecto por cima de mim!”

Ou mais à frente:

“Esfregar as camas com ácido carbólico só serve para estimular as pulgas a fazerem exibições de atletismo ainda maiores. Não é tanto a mordedura das pulgas, explico eu a Mac. É a sua inesgotável energia, as suas corridas de saltos intermináveis em volta da nossa barriga, que nos esgotam a paciência. É impossível que o sono nos vença quando as pulgas andam a praticar os seus divertimentos nocturnos em torno da nossa cintura sem parar.” […] “Dir-se-ia que eu só apanho as sobras de pulgas – isto é, aquelas que não conseguiram arranjar domicílio em Max. As minhas são pulgas de segunda categoria, pulgas inferiores, sem qualificação para o salto em altura!”

Vou sentir falta da sua companhia!

“A Livraria”

 

 

Após a leitura ávida do Diário de “Agatha Christie na Síria” o impacto toma proporções talvez um pouco exageradas.  O romance que estou a ler não muito entusiasmada tem uma ideia muito prometedora na narrativa, mas não deve passar daí.

Tenho a sensação que a tradução tem quota responsabilidade, mas na verdade não percebo nada de traduções. Só percebo se o texto e a linguagem me agradam ou não. Vou na parte da dúvida sobre a venda de “Lolita” na livraria de uma terra britânica junto ao mar, mas já estou mesmo a ver que ela tem razão.

A desilusão pode também ser um pouco exagerada, dado que é um livro tão bem comentado e premiado… Parece-me que é tudo tretas das hostes supostamente cultas do mundo que decidem quem é premiado ou não… pedantices parece a palavra adequada.

 

No silêncio com a Agatha Christie Na Síria

Leio o melhor livro da Agatha Christie:
Agatha Crhistie Na Síria” da Tinta da China:
que aliás tem uma capa linda para se estragar na areia
e ficar ainda mais charmosa.

E saboreio as velas dos outros ao longe.

P.S. Acho que o sol disse adeus até ao fim das férias…
Pode não ser assim tão má ideia… a sério!

Do “Renascer” – Férias com Sontag

A ler aos pedacinhos para durar mais.

Alguns lugares muito íntimos de uma mulher extraordinária
em algumas das suas facetas: Susan Sontag
foi “casada” com Annie Leibovitz
e foi através dessa magnífica fotógrafa que dei com ela.

Está bem, está bem… a Susan disse isto quando tinha 16 anos [e já andava na Universidade] e eu tenho curiosidade para ler o resto do diário e todos os outros diários para saber se ela continuou a ser coerente com estes pensamentos:

“O que é a Universidade? Posso não aprender nada, porque o que realmente quiser aprender posso aprendê-lo, e assim o tenho feito, por minha própria conta, sozinha, e o resto será sempre uma maçada… “

Livro – Dia C – Casamento entre Pessoas do Mesmo Sexo

No próximo dia 17 de maio, pelas 18:30, o Centro LGBT acolhe o lançamento do livro

‘Dia C – Casamento entre Pessoas do Mesmo Sexo’

Tendo como mote o dia 08-01-2010, o livro conta com textos da autoria de Fernanda Câncio, Helena Pinto, Heloísa Apolónia, Isabel Fiadeiro Advirta, Isabel Moreira, Margarida Lima de Faria, Miguel Vale de Almeida e Paulo Côrte-Real e ilustrações de Vasco Araújo.

Este é o volume inaugural daquela que é a primeira coleção portuguesa de estudos LGBT, a coleção «Fora do Armário», da Editorial Estampa.

O livro será apresentado por Rui Tavares na data em que se celebra o segundo aniversário do anúncio da promulgação da lei 9/2010 – e que é também o Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia e Transfobia.

 

Não é como quando eles publicam papers…

 

e parecem umas crianças aos abraços, mas sorrio. Estas coisas são como ganhar medalhinhas, mas são muito mais importantes, porque custam tanto a acontecer… são o culminar de escolhas feitas há tanto tanto tempo. Às vezes sinto que há demasiado tempo… Mas eu que gosto de contar pequenas histórias cheias de significados e perder-me por aí nas palavras dos outros.

 

 

Vais-te meter em sarilhos…

para 10.000 míseros caracteres…
e já agora fazer um PhD sobre o assunto, não?

Mas que trabalheira que vai ser…

 

P.S. O melhor é aceitar o meu desafio
e resolver os sarilhos em que eu própria me meto.
E já agora entusiasmada pelo aparente interesse, muito,
pela questão que lhe propus.

O homem é insuportável, mas eu adoro livros e ciência
e a sua História.

O que fazer para pôr a miudagem a ler… com GOSTO!

E também os graúdos de todas as idades!!

– Fazer da leitura uma experiência para todos os sentidos
– Envolver os miúdos no espírito crítico e no debate
– Escrever um livro próprio [e promover a escrita]
– Descobrir o que se vende por aí nas livrarias
– Envolver toda a gente nas leituras
Adaptado daqui

Das mini-descobertas que nos enchem o peito

Ao passar os olhos por uma série de livros que preciso de rever para um trabalho da “escola” reabri um deles, publicado há já uns anos e escrito por uma série de “pares” meus… Li um dos capítulos que nunca tinha lido até ao fim e heis que no último parágrafo descubro uma referência a um blogue que tive em tempos, que está fechado há mais de três anos, mas que continua a receber cerca de 100 visitas diárias provenientes dos motores de busca. Aliás, por isso mesmo ainda não o apaguei.

Não tenho noção de que o dito local perdido por aí, nessa coisa que é a “Rede”, tenha sido assim relevante nesses tempos que já lá vão e que espero não voltem (comecei o blogue porque estava desempregada e precisava de objectivos e de me motivar). Pensando bem, até chegou a chamar a atenção de um jornalista que quis porque quis entrevistar-me para um programiiiiinha de tv por causa do dito espaço…

É bom descobrir estes detalhes de vez em quando, faz bem ao amor-próprio e faz-nos acreditar que não andamos “só” a “apregoar” para o boneco…

Hoje deu-me para as memórias. Detesto cada vez mais esta época do ano. Não me apetece nada pôr-me a fazer balanços, pesar a vida e fazer um ponto de situação… Não agora. Se o fizer, a balança vai pesar demais para onde não deve, tal como o meu corpo, e esta é mesmo uma péssima altura para negativismos. Não me posso deixar ir abaixo, porque não tenho tempo para isso agora! E eu que gosto tanto de ter “Pensamentos +++”. Sinto um estúpida solidão invadir-me as entranhas.

“Segredar das estrelas”

Não faço ideia se existiu mesmo alguma lenda ou estória sobre este segredar, mas gostava de saber…

Colocou a boca em forma de grande «O» e expirou lentamente. Ao fazê-lo, vi a nuvem da sua respiração cair em gotinhas no chão. Era o som que eu ouvira: a respiração cair no chão.

O seu significado refere-se a um período de tempo tão frio que a respiração cai em gelo no chão antes de se dissipar. Os Iacutos dizem que nunca se deve dizer um segredo ao ar livre durante o segredar das estrelas, porque as palavras congelam, e no degelo quem passar nesse sítio pode ouvi-las. 

da p. 141
A Biblioteca do Geógrafo
Jon Fasman, 2004 

Leio “The Man Who Planted Trees” e Planto uma Árvore!

 

Numa visita a uma secção infantil descobri-o pela capa que me chamou a atenção.

É um livro com mais de 50 anos reeditado pela Far Far Away Books, uma editora dedicada às histórias “de sempre” (vale a pena uma visita ao website, porque os três porquinhos esperam-vos!)

 

A editora, que publica em Inglês e em Português, promete que por cada livro vendido uma árvore será plantada! =)

 

Existe também uma animação de 1987 em vídeo e informações extra na Wikipedia

Desafio com Livros

A Marisa deixou-me este desafio há uns meses. E eu cá estou a aceitá-lo.

1. Existe um livro que relerias várias vezes?

Claro! :)

Os livros de Poesia, que (re)leio utilizando o método: abrir ao “calhas”, ler, consolar-me (ou não), fechar e mergulhar na prateleira.

Leio passagens que deixei marcadas ou sublinhadas (sim, eu sublinho os livros desde há alguns anos e escrevo-lhes notas). Esses são geralmente ensaios ou biografias.

Tenho livros infantis que de vez em quando releio porque, claro,  são muito rápidos de reler e são sempre uma boa forma de apaziguar neuras, dúvidas existênciais e obrigar-me a um sorriso.

Tenho comprado livros que li, emprestados, e que exigi a mim própria tê-los por perto para os espreitar quando me apetece, sendo que nem sempre é a suposta qualidade literária que me interessa, mas o seu significado para a minha construção como pessoa.

Por exemplo:

  • Olá! Está aí alguém? – Jostein Gaarder
  • No teu deserto – Miguel Sousa Tavares
  • O Livro Misterioso – Margarida Fonseca Santos
  • Biblioteca Mágica – Jostein Gaarder
  • O Último Cabalista de Lisboa – Richard Zimler
  • A Sétima Porta – Richard Zimler
  • A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón (versão original)
  • O Ladrão de Sombras – Marc Levy
  • Entrevista com Sara Martinho para o livro O Que Eu Sei Sobre as Mulheres – Ana Sousa Dias
  • A História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar – Luis Sepúlveda

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Vários. E já aprendi a lição: nunca devemos insistir. Não percamos tempo na vida com o que não é essencial, pelo menos no momento em que enfrentamos esse texto.

3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?

No topo está o livro da minha vida, que li, reli e vou voltar a reler, porque até já tenho uma segunda versão ilustrada do A História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar de Luis Sepúlveda. É o livro maior sobre o meu tema maior: a Amizade.

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Todos os que estão nas pilhas e pilhas lá em casa e  mais os muitos outros que ficam nas prateleiras das livrarias e das bibliotecas, esperando pacientemente.

5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
O desfecho não é  o mais relevante. Achei inaceitável que o filme O Leitor não tivesse respeitado o final do livro.

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Sempre li desde que me lembro de ler. Livros infantis e tal. Depois Os Cinco e Os Sete e tal. Mas lembro-me do salto, de quando chegou a necessidade louca de ler e que veio para nunca mais partir, como um vício que se apoderou de mim. O livro Uma Aventura na Cidade de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Até me lembro quando o “roubei” de uma prateleira e o comecei a ler. Não tive condições para o levar comigo para o terminar. Mas lembro-me de estar a contar à minha avó, quando seguiamos para casa, e ela decidir que tínhamos de ir de imediato para uma livraria para o ir buscar! [talvez ela tivesse tido receio de que aquela ânsia me passasse e ela queria lá isso ;-) ]

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Vários ao longo da vida, mas o último foi Caminhar no Gelo – Werner Herzog. Porque queria saber mais e mais sobre aquela alma humana e como aquela viagem alucinada terminaria, claro!!

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Os que estão no ponto um. Depois tenho uma estranha relação com Pedro Paixão e Paul Auster.  Adoro a forma peculiar de escrever do José Luís Peixoto. Tenho uma adoração pela forma como Margarida Fonseca Santos e como Richard Zimler contam histórias.

Os livros mais importantes para mim são aqueles que fazem, de que forma for, uma homenagem à Amizade.

Recentemente, encontrei partes muito importantes de mim espelhadas  na entrevista com Sara Martinho para o livro O Que Eu Sei Sobre as Mulheres e no livro No teu deserto.

O livro da minha vida é A História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar de Luis Sepúlveda.

9. Que livro estás a ler?
Tenho uns 20 livros na mesa de cabeceira que estou a ler, mas que não lhes toco há meses… É porque ainda não foi o momento. :)
Terminei o surpreendente (na qualidade do contexto político e económico e da exploração das personagens) Os homens que odeiam as mulheres – Stieg Larsson). E estou a ler: Morte na Pérsia de Annemarie Schwarzenbach e Os Portugueses de Barry Hatton.

10. Indica amigos para responderem a este inquérito
XuxuFirefly, Su e Bela

Leio – Os homens que odeiam as mulheres

e esta…?

Agora deu-me para os policiais. É a silly season!

Este é o primeiro livro da triloga Millenium de Stig Larsson.

O autor desapareceu sem perceber na estrela em que se veio a tornar.

Comprei a edição de bolso que é só, SÓ metade do preço do livro “normal” além das suas dimensões user friendly, com letras não minúsculas. Espero bem que este país se deixe de pedantices e publique muitos livros de bolso e depressinha, não é para estarmos anos à espera!

E para vender e-books vejam lá, senhores editores, se não nos roubam.

Estou cheia de uma estranha felicidade

… não, não é do Verão ter finalmente chegado. É do vento ter partido para parte incerta. É este silêncio que me faz tão feliz.

Adoro enviar declarações de Amizade-Amor por SMS logo de manhã.

As palavras não são suficientes para explicar o que sinto ao fazer disparates do tipo entrar sucessivamente pela porta e dar-te os bons dias de (A)braços abertos para de seguida te pregar um beijo repenicado nas bochechas rechonchudas.

É como se tivesse feito duas declarações de Amizade-Amor antes das dez e meia da manhã.

Aliás, três.

O Xico pregou-me  um beijo de bons dias, quando ainda eu estava de cara na almofada, ao que lhe respondi que também o amava muito. E ele como se soubesse o que lhe declarava abanava a cauda comprida e felpuda de pêlos louraços e sorria para mim com aqueles olhos, um para cada lado, doces doces.

Estou recheada de felicidade.

Perspectiva-se um muito bonito dia, recheado de sorrisos, disparates, saltos na areia, ralhetes de que não me mexo e sou preguiçosa, mais de saltos e correrias, grelhadas mistas e saladas, talvez também uma pescaria rosada da Su.

Um dia ofereço-te “O Ladrão de Sombras”. Nesse dia saberás que te Amo. E saberás que o Amor não é Amor sem Amizade.

Hoje há uma leve e serena brisa no ar
Hoje sinto-me ainda mais apaixonada por Viver

Hoje sinto-me tão estranhamente Feliz.