Há palavras lindas: Boiça

ou Bouça…

1. regionalismo terreno delimitado em que se criam pinheiros, eucaliptos, carvalhos e mato
2. regionalismo terreno inculto

… O que será um terreno inculto…?

inculto
adjetivo
inculto
adjetivo
1. não cultivado; bravio
2. árido; agreste
3. que não domina códigos e conhecimentos livrescos ou intelectuais; que não tem instrução
4. rude
5. sem enfeites; desataviado
(Do latim incultu-, «idem»)

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Clarice Lispector numa exposição de palavras

… Embriaguei-me na voz, no som das palavras: “Sou tímida e ousada ao mesmo tempo…”.

Comprei o Jornal de Letras que a tem na capa: a Clarice.

Há muito muito tempo que não lia o JL… Fez-me lembrar os bons tempos do Mil Folhas no Público: nos textos que evitam as pedantices da escrita…

Se não tivesse com tanta curiosidade tinha mandado o jornal dar uma curvinha… Sinceramente… qual é o gozo de escrever difícil num jornal? É fazer-nos perder tempo? É que num jornal estar a voltar para trás várias vezes não é muito confortável… nem o objectivo, certo? Os senhores da Edimpresa têm com  certeza um fetiche em manter esta pérola viva. Felizmente!

A não perder o texto da Nélida Piñon.

 

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Clarice Lispector – A hora da Estrela – Fundação Calouste Gulbenkian
© LápisLavra

Mais fotos no Álbum Num Piscar d’Olhos

Adoro pés e coisas a voar… menos eu…

Amanhã vou voar outra vez  para a capital da Belgilândia
em nome da nação.

Quando tiver um momento só para mim e para lavar a alma,
que vai ficar tão recheada de coisas  e ditos altamente descartáveis,
vou ver este filminho de livros voadores
que a Impressão Anónima recomendou.

Da Adopção para toda a gente: “Duas mães, dois pais”

 

‎… o que faz com toda a certeza mal às crianças, é serem maltratadas e os maus tratos não decorrem do tipo de famílias, mas da competência humana e educativa, por assim dizer, de quem delas cuida, pais, mães ou educadores. Quando as crianças são bem tratadas e crescem com adultos que gostam delas, as protegem e as ajudam a crescer, elas encontram caminhos para lidar com dois pais ou com duas mães. O que as crianças quase sempre não sabem como resolver é quando têm por perto adultos, heterossexuais ou homossexuais, que não gostam delas, que as maltratam, negligenciam, abandonam, etc. Isso é que faz mal às crianças.

 

José Morgado
é professor universitário
no Instituto Superior de Psicologia Aplicada
– Instituto Universitário

in Jornal Público

Tenho pensado muito neste artigo sobre Criatividade…

 

Oblicard

Put in earplugs – © Oblicard.com

 

Agora mesmo o Try Faking it mandou-me uma cartinha para eu encher todos os gaps com alguma coisa e o Oblicard mandou-me outra cartinha para tapar os ouvidos com tampões…

Acho que A minha gap cerebral das últimas duas semanas era que ainda não tinha partilhado este artigo… Se ele diz que resulta, então há que tentar abanar os pensamentos laterais… e melhor dizendo as estratégias oblíquas. A outra gap desde há muito muito tempo é que das duas uma: ou uso phones todo o dia, sendo a música opcional, ou trabalho em casa, sendo a música uma companhia opcional…

 

 

 

Eu sei que sim… o Amor acontece via Internet

e as Amizades também e não me envergonho nada de o confessar… Podia ter escrito este post há tanto tempo… Devia? Não sei…

No outro dia – curiosamente no dia em que o Fórum da Rede Ex-Aequo comemorou uns abençoados 11 anos de existência –  num debate público sobre um filme, uma jovem fez um comentário discriminatório em relação aos contactos e encontros que acontecem via Internet.

Ouvi-a calada e assim me mantive, silenciada pela minha tremenda timidez e inibida por estarem ali presentes várias pessoas que me conhecem. Talvez se não estivessem, tivesse pulado para fora de mim e dado o meu testemunho. Como me parece ser bom hábito nas reuniões da Rede Ex-Aequo – essa é a minha experiência – quando alguém tem um comportamento discriminatório em relação a qualquer assunto os moderadores intervêm de forma a pôr @ “discriminad@r” a reflectir sobre a sua atitude.

Calei-me, mas fiquei com a mente aos pulos, desejosa de partilhar da minha experiência. As namoradas que tive: conheci-as através da Internet.

Sonho com o dia perfeito – que não vai acontecer porque não há dias perfeitos – com o dia em que vou conhecer a mulher da minha vida no local perfeito: n@ florist@. Há aqui um óbvio problema de probabilidades… quase não vou a florist@s…

Primeiro, tive um pseudo-namorado que conheci, porque era amigo do meu irmão.

Depois, quando me enfrentei, ganhei coragem e meti conversa com uma miúda no grupo de discussão do Clube Safo. Depois de muitas “cartas” electrónicas para trás e para a frente, lá nos convencemos ao primeiro encontro num sitio público como convém. Essa miúda foi minha companheira durante vários anos. O meu relacionamento amoroso com ela mantém-se – e acredito que se manterá – como uma referência até ao meu último sopro.

As outras namoradas que tive conheci-as num famoso site internacional, ao qual adjectivo como aquele local desabraçado. Digo isto, mas não sem alguma ternura. É que foi lá que as conheci e também outras pessoas, e a outras pessoas através delas, que ainda se mantêm na minha vida. Não são muitas, mas vão ficando cá dentro.

Estes sites de (des)encontros, são como a vida: é preciso ter alguma sorte e uma grande dose de bom senso.

Já me aconteceram cenas estranhissimas – eu não disse aterrorizadoras, ok? Foram estranhas… há pessoas para todos os gostos em todo o lado, não é…? É tal e qual como na vida.

Também já me aconteceram cenas inesquecíveis,  como naquele primeiro encontro estarmos já há três horas na bela converseta (e eu que falo tão pouco… imagine-se…)  até ao momento em que nos lembrámos que o Xico-cão estava ao “abandono” no carro… Passadas umas semanas essa miúda tão fixe dos All Star Amarelos, no mesmo sítio desabraçado, conheceu outra miúda também muito fixe. Estão juntas há mais de dois anos. E que bem que elas ficam!

Há algum tempo que ando na troca de e-mails com uma miúda que vive noutro país. Somos pen pals, como fazia tanta gente na adolescência, mas em versão online. A casa do coração dela fica a uns três quilómetros da minha… acreditam? Já escrevemos tantos e-mails e tão longos que podíamos publicar um livro com largas centenas de páginas. As duas concordamos que @ florist@ seria o local perfeito para conhecermos as mulheres das nossas vidas, mas que as probabilidades são mais elevadas através da Internet ou de amig@s, ou no trabalho, ou noutro local qualquer.

A minha prima do coração conheceu o companheiro na Internet há uns sete ou oito anos ou se calhar já há mais. Ainda não há muito tempo me confessou que ele é o Homem da vida dela. Gosto de lhes cuscar os olhares íntimos. Adoro testemunhar pessoas apaixonadas e cúmplices.

A última namorada que tive e que também conheci no dito sitio: na primeira vez que falámos ao telefone foi coisa “só” para cinco horas sabe-se lá a falar de quê…  há conversas que são como as cerejas (e eu que falo tão pouco… imagine-se…). É mesmo coisa de miúdas ;-) Mas olha puff desvaneceu-se, por vários motivos, entre eles o que ele transcreve tão bem ali no MomentosTemos mesmo de ter cuidado, porque pode haver o risco de nos apaixonarmos pelo ecrã do computador. Eu estive apaixonada (issima… ou assim), mas houve umas grandes (des)ilusões do ecrã para a vida real.

E agora estou apaixonada? Não sei… pelo ecrã do computador? Não sei… Não… Ela tem um sorriso lindo e genuíno. Ela ensina-me tantas coisas. Adora cor-de-laranja. É viciada em leituras. Tem o cabelo a ficar cinzento como eu tanto gosto. Tem um coração que anseia por ser mais inteligente. Ela cheira tão bem. Ela não vive em Roma como a minha pen pal, mas vive longe… E eu pergunto-me como é possível gostar tanto de alguém com quem estive uma única vez recheada de sorrisos e de água e de praia por todos os lados. Mas sinto estas estranhas saudades de um tempo nosso que nunca existiu.

Não acredito no Amor à distância quando não se construiu previamente uma relação amorosa sólida…

P.S: Considero os 11 anos do Fórum da Rede Ex-Aequo
como “abençoados”,
porque por entre outros importantes motivos,
tenho uma grande convicção de que a reviravolta
da história LGBT em Portugal
se iniciou quando as mentes daqueles jovens fundadores
tiveram aquela ideia iluminada.

Diz-me com ares de “criança grande”…

Tenho tanto de miúda  ingénua [sim, às vezes ainda ingénua… ], como de mulher graúda  envelhecida com o peso das agruras da vida.

Tenho tanto de disparates risonhos, sorrisos e gargalhadas soltas, como de nuvens negras, curiscos no olhar e  lágrimas  silenciosas dolorosas em cascata. 

É que por muita “paulada” da vida não há nada, nem ninguém que me roube a intima capacidade de de me deslumbrar e de me emocionar.

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